A bicicleta é uma das formas mais simples e acessíveis de mobilidade que existem. Você encontra uma bike, sobe nela e vai. Pelo menos deveria ser assim.
Muitas vezes, antes da primeira pedalada, começa uma sequência de barreiras: cadastro, cartão de crédito obrigatório, retenção de limite, saldo mínimo, taxa de desbloqueio, assinatura, mensalidade e regras de minutos que exigem atenção demais.
O usuário não quer contratar um produto financeiro para andar de bicicleta. Não quer comprometer limite do cartão para uma corrida de poucos reais. Não quer fazer conta para descobrir quanto cada minuto adicional vai custar.
Ele só quer pedalar.
Quando proteção vira barreira
Existe uma linha muito tênue entre proteger uma operação e criar obstáculos para o próprio cliente.
O Brasil é um ótimo exemplo. Segundo o Banco Central, 96,4% da população adulta possui relacionamento com uma instituição financeira, mas apenas cerca de metade utiliza cartão de crédito.
Ou seja: uma pessoa pode ter conta, dinheiro, usar Pix diariamente, ter cartão de débito e conseguir perfeitamente pagar uma corrida.
Mas, se o operador exige cartão de crédito e limite disponível para ela andar de bicicleta, cria uma barreira artificial entre essa pessoa e a mobilidade.
Ter dinheiro para pagar uma corrida e ter crédito disponível para garantir uma corrida são coisas completamente diferentes.
Estamos vivendo uma época curiosa. Hoje, aplicativos de delivery já permitem parcelar determinados pedidos. Você pode pedir uma pizza hoje e terminar de pagá-la nos próximos meses.
Agora imagine se essa moda pega no bike share.
Você quer pedalar alguns quilômetros e descobre que precisa contratar um plano, pagar mensalidade, comprometer limite e, daqui a pouco, parcelar o direito de andar de bicicleta em três ou quatro vezes.
Ninguém quer financiar uma pedalada.
O usuário quer mobilidade.
Pricing também é experiência
Uma vez, a irmã de uma modelo brasileira famosa me contou uma história que nunca esqueci.
Durante uma viagem a Nova York, ela usou o bike share para conhecer a cidade. SoHo, Tribeca, Chelsea. Pedalou por horas.
Ela não havia compreendido direito a estrutura tarifária.
Só percebeu o tamanho da conta quando voltou ao Brasil e recebeu a fatura do cartão:
cerca de US$ 550 em bike share.
Não estou discutindo se a cobrança estava prevista nas regras. O ponto é outro.
Se alguém consegue utilizar um produto durante horas sem perceber que está acumulando uma cobrança dessa magnitude, existe um problema de experiência. Uma tarifa pode estar correta no contrato e ainda estar errada na experiência.
O usuário não quer estudar taxa de desbloqueio, primeiros minutos, minutos adicionais, excedentes, planos, assinaturas e retenções antes de pedalar.
Ele também não quer abrir uma calculadora para descobrir quanto vai custar chegar ao outro lado da cidade.
Se o preço precisa de explicação demais, ele já virou fricção.
Pagamento faz parte da experiência
Pagamento não deve ser apenas uma etapa financeira no final da jornada.
Pagamento faz parte da experiência de mobilidade.
Ele precisa ser simples, rápido, transparente, seguro e fácil de compreender.
O usuário deve saber quanto está pagando, escolher como quer pagar e concluir a transação com confiança — sem precisar entender gateway, adquirente, liquidação ou toda a infraestrutura financeira por trás daquela tela.
Essa complexidade é nossa. Não do usuário.
No Brasil, isso pode significar Pix, débito, crédito ou carteira digital. Nos Estados Unidos, cartão e soluções como Apple Pay. Em Londres, Los Angeles, Barcelona ou qualquer outro mercado, os hábitos podem ser diferentes.
O papel da MYKE é respeitar essas diferenças sem transformar cada país em uma experiência diferente para o usuário.
Uma plataforma global precisa de uma infraestrutura global
Se queremos construir uma plataforma global de mobilidade, não faz sentido transformar pagamentos em um retalho de integrações independentes.
Uma solução para o Brasil. Outra para os Estados Unidos. Outra para o Reino Unido. Outra para a Europa.
E, a cada nova cidade, reconstruir tecnologia, conciliação, segurança e experiência praticamente do zero.
Isso não é escala global. É complexidade global.
A MYKE nasceu com uma visão global. Por isso, uma das nossas visões é trabalhar com um Global Payment Partner capaz de acompanhar a expansão da plataforma e, ao mesmo tempo, respeitar a realidade financeira de cada mercado.
Isso não significa obrigar o mundo inteiro a pagar da mesma maneira.
É exatamente o contrário.
Significa ter uma infraestrutura global capaz de oferecer uma experiência local.
Pix em São Paulo. Apple Pay ou cartão em Nova York. Outros hábitos em Londres, Barcelona ou Los Angeles.
A moeda pode mudar. O método pode mudar. A regulamentação pode mudar.
A qualidade da experiência não deveria mudar.
E existe uma diferença importante:
O pagamento não precisa ser invisível. A fricção, sim.
O usuário precisa perceber que está fazendo um pagamento seguro, entender o valor e confiar em quem está processando aquela transação. Mas tudo precisa acontecer naturalmente dentro da jornada.
Encontrou. Escolheu. Pagou. Desbloqueou. Foi.
Quanto mais simples for utilizar um serviço, maior é a quantidade de pessoas que pode utilizá-lo.
Às vezes fazemos o contrário: criamos cinco barreiras para proteger a operação e depois gastamos milhões em marketing tentando convencer as pessoas a atravessá-las.
Prefiro pensar diferente.
Remova a barreira primeiro.
Preço simples. Pagamento simples. Mais opções. Menos exigências desnecessárias.
Porque, no final, não importa quantas APIs, bancos, moedas e sistemas existam por trás.
O usuário continua querendo exatamente a mesma coisa:
pegar uma bicicleta e pedalar.
E nosso trabalho é tornar tudo o que existe entre essas duas coisas o mais simples possível.
MOVE QUIETLY.